Segundo o Aurélio, empresa é aquilo que se empreende. E assim é, ou melhor, assim deveria ser.
Vamos relembrar como uma empresa se forma: primeiro, surge uma idéia. A idéia é a semente do empreendimento. Nem todas as idéias progridem ou se transformam em empreendimentos.
Seus idealizadores talvez não passaram pelo teste do risco e muitos empreendimentos morreram quando ainda eram apenas idéias. Todo empreendimento possui uma determinada taxa de risco que deve ser assumida. Pois bem! Supondo que essa etapa tenha sido vencida, a idéia recebe CGC, endereço, telefone e talão de nota. É quando o empreendimento transforma-se em empresa.
Dada a proximidade com o cliente, é possível que esse enxergue valor nos produtos e serviços oferecidos pela empresa. Crescem as vendas. Cresce a participação da empresa no mercado. Aumenta-se a estrutura. Maiores receitas começam a gerar maiores resultados.
Até aqui é uma história de sucesso. E aí surge o problema: a necessidade de reprisá-lo. Na ânsia de manter o sucesso, os dirigentes de empresas tentar conseguir a estabilidade e aí investem inutilmente na repetição. Tentam sistematizar os processos, padronizar os procedimentos e normatizar os comportamentos. Investe-se em peças orçamentárias que pretendem estabilizar as receitas, as despesas e os resultados. Investe-se em sistemas de informações para tentar averiguar se os números previstos foram ou não atingidos. A flexibilidade que contribuiu com o sucesso dá lugar ao controle. O comportamento empreendedor que construiu o sucesso dá lugar ao comportamento burocrático. E o que se consegue com todos esses esforços é engessar a empresa e trocar a fórmula do sucesso pela fórmula do fracasso. Acomodação, estabilidade, burocracia: está aí a fórmula do fracasso que afugenta o comportamento empreendedor e reprime qualquer tentativa de inovação. Avalie até onde essa fórmula está presente em sua empresa:
* Projetar o futuro a partir do passado. Nesse sentido, o máximo que se consegue é melhorar o que já está sendo feito. Melhoria é pouco! É preciso transformar o presente à luz do futuro e isso significa, muitas vezes, parar com tudo e recomeçar do zero. O sucesso do passado não garante em nada o sucesso no futuro.
* Muitos pensam que a criatividade está relacionada com a capacidade de lidar com as pressões do dia-a-dia e com as restrições impostas pelos orçamentos. Boas idéias surgem da capacidade de estar ligado no mundo ao redor e de não colocar limites à imaginação.
* Quando a empresa atinge determinado patamar de sucesso, seus dirigentes preferem o discurso de que em time que está ganhando não se mexe. Daí partem para a repetição que leva à acomodação e à apatia.
* Ser prático sempre soou como uma qualidade, mas pode também passar a idéia de um comportamento pouco dado à reflexão e ao exercício de pensar. É louvável ser prático quando o assunto é burocracia, porém é pouco inteligente ser prático quando o assunto é empreender.
* Faturar mais e conquistar novas fatias de mercado! Esse é o lema de muitos dirigentes de empresas. Conseguir um maior número de clientes não é o mesmo que estar posicionado na mente do cliente. Ser lembrado pelo cliente é mais importante do que participação na pizza que divide o mercado em fatias.
* Saber o que o cliente deseja e como atua a concorrência pode ser, ao contrário do que parece, mais um sinal da acomodação e da burocracia. O cliente, assim como o mercado, é um alvo móvel cujas necessidades mudam a cada dia. Daí o perigo da repetição que pretende sempre satisfazer a necessidade do cliente de ontem.
* Persuadir a equipe para que apóie determinada estratégia pode ser, ao contrário do que parece, outro sintoma da acomodação e da burocracia. Vencidos pelo modelo de liderança autoritária e centralizadora, os colaboradores podem preferir o baixo risco de concordar com o chefe e amoldar-se aos seus objetivos do que enfrentar a aventura e o risco da inovação.
* Produzir sem erros pode ser, ao contrário do que parece, uma mecanização dos comportamentos e que impede o ingresso de novas idéias e da inovação. Elimina-se os erros, mas também a imaginação e a criatividade.
Existem empresas que só são empreendedoras quando da sua origem. Depois disso, passam os dias se repetindo. A repetição é o contrário da inovação e a empresa empreendedora é uma empresa que inova a cada dia e para tanto possui um clima apropriado à criatividade.
Na empresa empreendedora, a inovação é institucionalizada. Todos, sem exceção, do porteiro ao diretor, sentem-se comprometidos com a inovação e evitam a repetição.
Na empresa empreendedora, a inovação é estimulada. O clima de criatividade é valorizado pelos líderes. Toda idéia nova é bem-vinda e reconhecida.
Na empresa empreendedora, a inovação não tem limites. Os experimentos estão por toda parte apesar dos erros que eles provocam.
Na empresa empreendedora a inovação é cultuada. Rolam muitas conversas que retratam histórias e lendas de pessoas que introduziram novidades, às vezes até quebrando as regras.
Na empresa empreendedora e inovação é interativa. Existem vários canais de comunicação abertos para garantir uma autêntica interação entre a direção e os funcionários, os técnicos e os vendedores, a empresa e os clientes.
Por fim, a vida na empresa empreendedora é muito mais divertida, uma vez que todos podem fazer uso de seus potenciais criativos e talentos empreendedores. A empresa empreendedora é uma empresa que não envelhece!