Ver a empresa de uma forma compartimentada, no convencional modelo departamental, é uma atitude muito comum, ainda. Dessa maneira, ela parece formada por uma porção de empreitadas verticais, também conhecidas como departamentos. Na verdade, trata-se de um equívoco histórico, do tempo em que os cientistas organizacionais estavam mais preocupados com a distribuição do trabalho, com a especialização e com a produtividade interna do que com o cliente, este sim, a razão de ser da empresa.
Uma empresa é formada por um processo principal, que começa na demanda do cliente e termina com a satisfação desse mesmo cliente. Ao contrário da junção de várias empreitadas verticais na forma de departamentos, uma empresa é mais um processo horizontal, apoiado por vários outros processos também horizontais. Ao examinar uma empresa nesses moldes, tudo conduz a proporcionar a essa demanda uma oferta equivalente. Para isso, será necessário juntar recursos na forma de materiais, insumos, trabalho, competências. Parte desses recursos será produzida internamente e parte, fornecida por terceiros. É comum focalizar atenção, tempo e esforço mais sobre os recursos internos. Não é comum dedicar atenção, tempo e esforço - na mesma medida - aos fornecedores.
Ainda sob a mesma perspectiva, do processo horizontal e não-departamentalizado, podemos verificar que os fornecedores de materiais e insumos passam a ser parte integrante e imprescindível do sucesso, no que se refere à produtividade, economia e qualidade. É surpreendente como os líderes ainda gastam tempo com departamentos que não são parte integrante do processo (atividades-meio), sem reservar o mesmo tratamento para os fornecedores, com o intuito de torná-los partícipes ativos e cúmplices dos resultados.
Sabemos da importância e da necessidade de treinar os funcionários, a equipe de vendas, os gerentes e a turma das áreas administrativas, mas nem sequer tentamos fazer algo semelhante com os fornecedores. Talvez você esteja pensando "isso é problema deles!", mas essa frase lembra muito aquela outra, tão conhecida... "esse não é o meu departamento!". Um líder empreendedor se responsabiliza por um processo. Um gerente burocrata se responsabiliza por um departamento. Quando se pensa processos, os fornecedores passam a ser parte integrante do negócio e não se resumem a meros parceiros comerciais incluídos na relação de contas a pagar.
Se os fornecedores não souberem da importância que têm, jamais contribuirão da melhor maneira para que se possa oferecer aos clientes um produto final de alta qualidade. Os fornecedores precisam conhecer o processo da empresa para contribuir ao máximo. É importante mantê-los engajados e comprometidos para atuar da melhor maneira possível. Por isso, é bom manter com eles uma relação de saudável parceria, devidamente isenta de protecionismo e, sobretudo, de caráter empreendedor. Só assim haverá, de fato, ganhos mútuos. E, claro, satisfação garantida do cliente!
Roberto Adami Tranjan