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Depressão pessoal afeta desempenho

O livro de Jó talvez seja o mais antigo registro escrito sobre a depressão: "assim me deram por herança meses de desengano e noites de aflição me proporcionaram. Ao deitar-me digo: quando me levantarei? Mas comprida é a noite, e farto-me de me revolver na cama, até a alva." A depressão é universal e todos, pobres e ricos, em qualquer tipo de profissão, passam por períodos depressivos num momento ou outro da vida. Quando a depressão ataca dirigentes de empresas, negócios são expostos ao risco por conta da tristeza, do desânimo e da desesperança. Muitas vezes, nada há de errado com o mercado nem com a empresa e o negócio em si, mas o estado de ânimo negativo do líder acaba contagiando todos os colaboradores. Os resultados não acontecem por causa do esvaziamento de energia, causado pela depressão.


Ela se manifesta de diversas formas, desde simples estados de melancolia e variações no humor a algo mais sério, como a psicose. Seu antídoto natural é a felicidade, que depende muito mais da própria atitude mental do que das circunstâncias. É ilusão, no entanto, pensar que o ser humano pode se livrar da infelicidade e, por conseguinte, da depressão.


Albert Ellis, psicólogo americano, dizia: "o que importa não são os fatos, mas como nos sentimos diante deles". Os fatos provocam sentimentos diferentes em pessoas diferentes, dependendo do histórico de vida de cada uma. Quando não é possível mudar as coisas externas e se elas provocam sentimentos de desânimo, nada nos resta senão lidar com eles, esforçando-nos para tentar mudá-los. Ellis explica a mutação dos sentimentos através do "princípio do ABC":


          A         ==>       C
 acontecimento    conseqüência (sentimento/reação)


Segundo Ellis, se um mesmo acontecimento leva a conseqüências tão diferentes em pessoas diferentes, A não pode ser a causa de C. Falta, portanto, um elemento nessa relação e justamente ele seria a verdadeira causa dos sentimentos e ações das pessoas:


        A             ==>            B                         ==>       C
Acontecimento                 belief (ou seja, crença)    conseqüência


O B, do inglês belief, refere-se ao conjunto de crenças e valores que determinada pessoa vai acumulando durante sua existência e que tem profunda influência em seus sentimentos. É, então, a crença que as pessoas têm sobre as coisas, e não propriamente as coisas, o fator determinante, ou seja, a causa dos sentimentos de depressão. Se os fatos não podem ser mudados, é preciso mudar as crenças (a atitude mental) que temos sobre eles.


Outra maneira de encarar a depressão, com belas chances de vitória, é estabelecer metas próprias-grandiosas e altruístas. Nada de se contentar com metas de segunda categoria ou egoístas. Um indivíduo que, durante toda a sua vida, produziu sucesso apenas para si é um forte candidato à depressão. É só o que lhe resta mesmo como "recompensa", uma vez que suas contribuições se reduziram ao que envolvia interesses pessoais, que nada fez além da esfera do auto-beneficente, que ninguém cresceu ao seu redor, que não colocou "alma" no negócio nem trabalhou para uma missão de grandeza. 


As pessoas felizes possuem metas grandiosas e, de alguma forma, elas incluem a ajuda aos outros. 


É claro que o assunto "depressão" é bem mais profundo do que esta reflexão inicial a respeito. Em algumas situações, inclusive, deve ser tratado com auxílio de médicos especializados e de remédios. É sempre importante, porém,  salientar que o estado de ânimo de um líder tem relação direta com o estado de espírito de sua equipe e, por decorrência, com os problemas organizacionais e os resultados. Não por acaso, o filósofo romano Epíteto dizia: "não são seus problemas que o estão deixando louco. É a forma como olha para eles". Aqui está um bom tema de reflexão, para mergulhar corajosamente. O saldo costuma ser dos mais positivos.


Roberto Adami Tranjan



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