Assim deveria ser uma empresa: uma usina de idéias! Infelizmente, não é o que acontece. A maioria é mais parecida com uma oficina de reparos. Passa dias e dias cometendo e corrigindo erros. Possui mais indicadores de erros, anomalias, desperdícios, devoluções, retrabalho do que de qualquer outra coisa. As empresas estão preparadas para não errar e não para inovar. E aí está o erro maior!
Num ambiente de trabalho onde a palavra "erro" é mais pronunciada do que a palavra "idéia", as pessoas lutam pela preservação do que já existe, pela manutenção, ninguém está preocupado em ousar e propor coisas novas.
Grande parte dos produtos que movimentarão a economia e que farão sucesso no futuro ainda não foi inventada. Virá da imaginação humana e se expressará através do exercício da criatividade. Atenção, portanto: os melhores resultados nada terão a ver com o que já existe à exaustão, no mercado, e nem dos serviços
commoditizados que saturam a economia. A inovação será a maior formadora de riqueza, em todas as empresas. E, claro, só existe possibilidade de inovar quando se usa sua matéria-prima por excelência, a criatividade humana.
Mas aí reside um dilema. As empresas não estão organizadas para funcionar como usinas de idéias. Ao contrário, a empresa típica da era industrial é avessa ao novo. Está preparada, se muito, para a melhoria, ou seja, a repetição aprimorada. O pensamento está sempre voltado para produzir mais rápido, mais barato e melhor. Não existe espaço, portanto, para sonhar, criar, explorar, desbravar. Sim, porque as idéias quase sempre transgridem normas e regulamentos. No fundo, o fator limitante é um modelo mental totalmente dedicado à solução de problemas dentro de um espaço que permita o controle e não o livre exercício de produção de idéias.
Faça um teste, a partir de sua própria experiência. Em uma semana, quantas reuniões são feitas para solucionar problemas e quantas são feitas para produzir idéias? Quantas vezes insistimos em dar o mesmo tipo de solução para um problema que já está se tornando um clássico na empresa? Ainda que a solução não leve aos resultados pretendidos, quantas vezes insistimos em repeti-la?
Diga não à oficina de reparos. Batalhe para que a sua empresa funcione como uma usina de idéias. Instigue a curiosidade de seus colaboradores, faça com que todos fiquem viciados em novidade. Dê um chute na rotina e estimule todos a fazerem o mesmo. Peça que cometam erros e não tentem evitá-los. Peça que tomem iniciativas e não esperem por instruções. Peça que evitem os padrões. Dê um dia de folga para a sua equipe pensar. Provoque pausas no trabalho para que todos possam espairecer e refletir sobre um novo jeito de fazer o trabalho. Mude o cenário: faça reunião no jardim. Pare a fábrica por duas horas, discuta o futuro com a sua equipe. Fale sobre o cliente, suas necessidades, presentes e futuras.
Jogue coisas velhas fora, limpe armários e gavetas, elimine tudo o que for do século passado. Faça com que deixem de pensar em problemas, para pensar em oportunidades.
Comemore e premie as boas idéias. Comemore também as que não são tão geniais. Enfim, comemore a atitude de ousar, criar, inventar!
Aceite, se quiser, uma verdade bem fora de sua rotina: a crise não existe! A crise existe para as empresas que não têm nada de novo para propor ao mercado. Na verdade, o que existe, e prejudica os resultados, é crise de imaginação. Rompa os bloqueios e prepare a sua empresa para sonhar! Sempre haverá mercado para a empresa única e a idéia brilhante! Faça tudo para que a sua chegue a esse patamar, onde a concorrência não tem vez. Verá que vale a pena!
Roberto Adami Tranjan é educador e diretor da Metanoia - Educação nos Negócios www.metanoia.net

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