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Saiba como evitar o maior de todos os desperdícios

A pergunta-chave é: "você faria um bom trabalho se tivesse as mesmas informações que são abertas aos seus funcionários?"

Talvez a questão lhe pareça estranha, porque acredita - e esse é um princípio bastante generalizado - que os funcionários possuem todas as informações necessárias para desempenhar um bom trabalho. Será que a suposição corresponde à realidade?

Muitas empresas se vangloriam de seus sistemas de controle e de conhecer os níveis de perda de matérias-primas, de horas/homem e de horas/máquina, com gráficos e ilustrações coloridas que demonstram erros e anomalias, indicando os prejuízos em que a empresa incorre.  Mas, onde estão as análises detalhadas do refugo de conhecimentos? Essas ninguém faz e provavelmente esteja aí o maior desperdício na maioria dos empreendimentos.

Existem dois tipos de conhecimento na empresa: o disponível e o residual. O primeiro é aquele de domínio público, ou seja, constituído pelas informações abertas a todos. Já o conhecimento residual é aquele que permanece restrito à mente de poucas pessoas, portanto, desconhecido da maioria. Manter em sigilo algo fundamental para o bom funcionamento da empresa é, geralmente, um equívoco. Algo que podemos classificar de defeito de liderança.

Entenda-se por defeito de liderança a forma como o líder vê seus colaboradores e a confiança que tem de compartilhar informações a partir daí. Se os considera simplesmente como "mão-de-obra", o máximo que conseguirá enxergar é um conjunto de mãos e braços disponíveis para tarefas. Dificilmente verá o que realmente existe à sua disposição: um pulsante universo de corações e mentes, capazes de oferecer ajuda fundamental na resolução de problemas. Com o foco restrito na "mão-de-obra", o líder perde o que as pessoas têm de melhor a oferecer: suas opiniões e idéias, produtos privilegiados da inteligência e da criatividade do ser humano, quando livre para externá-las.

A liderança, que prefere confiar mais em si do que no patrimônio intelectual de sua equipe, cria um ambiente de trabalho de potencial muito  reduzido para resolver problemas e gerar novas idéias.

Lembre-se: nos novos tempos, o capital intelectual conta mais do que o capital físico, na obtenção de resultados e no sucesso de um negócio. O capital físico só garante a elaboração de um produto, mas não a satisfação plena do cliente. Esta depende fundamentalmente dos conhecimentos que as pessoas detem. A concorrência, portanto, não se restringe ao confronto de produtos, mas se encontra nas alternativas de solução oferecidas para solucionar problemas. O cliente, soberano na posição privilegiada de dono da escolha, optará pela que seja capaz de satisfazê-lo da melhor maneira.

A concorrência entre produtos é um suplício característico da era industrial, à qual permaneceu confinada. A concorrência hoje, na era do conhecimento, é entre as melhores alternativas de solução de problemas, ou seja, entre os conhecimentos de diferentes equipes, de diversas empresas.  Esse é o novo jogo! Se quiser, mesmo, preparar-se para o sucesso, aposte no seu melhor patrimônio - os corações e mentes dos colaboradores. Desperdiçar tamanha riqueza conduz, irremediavelmente, ao fracasso. E sempre é tempo para alterar uma concepção equivocada. Navegue nesse universo com entusiasmo e confiança. Terá, em troca, as melhores e mais gratificantes surpresas!

Roberto Adami Tranjan



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