Você se reconhece como um líder que age? E os demais líderes da sua empresa? Como você os vê? Muitos líderes passam o dia mergulhado em afazeres e não têm tempo para agir. Outros passam as horas batucando teclados, e também não têm tempo para a ação. Movimentam-se muito e também aos outros, mas não agem. Sim, porque existe uma diferença importante entre movimento e ação. Na primeira situação, todos se esforçam muito, mas os resultados sempre ficam aquém do desejado. No segundo caso, existe muito trabalho, mas todos se sentem recompensados quando vêem os resultados atingidos. Um líder de ação é aquele voltado para as pessoas e para os resultados. Seja um líder em ação, mas antes, saiba quando e como agir.
Faça-se presente!
Como líder você tem que estar presente. Mesmo! Nada de isolar-se ou isentar-se. Alguns líderes não cumprem sua função de educadores. Acreditam que podem delegar, antes de educar. Então esperam e deixam que as pessoas se desenvolvam por conta própria, como um instrutor de natação certo de que deve simplesmente lançar os alunos na água e dar as costas, na esperança de que aprendam sozinhos. Em vez de sair nadando, é bem provável que afundem ou fiquem se debatendo, sem sair do lugar, apenas para não se afogar. Esses líderes costumam lançar desafios confusos e superficiais. E, claro, não fazem um
follow-up, não acompanham o que está sendo feito. Depois se frustram e invalidam o modelo de liderança. Pois então saiba: você precisa circular, saber como as pessoas pensam. Tem de oferecer informação, orientação e direção. E falar sem rodeios, ir direto ao ponto. Sobre o doce e o amargo. E faça isso em todas as oportunidades.
Quanto mais você se envolve e se dedica a discutir os problemas, melhor será a decisão de como resolvê-los. Veja bem: você não tem obrigação de oferecer todas as respostas. Isso é o menos importante. Faça perguntas ao invés de fornecer respostas. Fazer perguntas diretas força as pessoas a pensar, a serem curiosas, a investigar causas. O fundamental é mostrar consideração para com os problemas dos outros. E jamais termine uma conversa sem fazer um resumo das ações que devem ser realizadas, por quem, quando e qual o resultado esperado.
Conheça a realidade da empresa.
Alguns líderes ficam fechados em seu ambiente restrito, sem circular pela empresa. Assim, não têm condições de observar, à sua maneira, o que se passa. Lidam, sempre, com dados de segunda mão. Recebem muita informação, mas filtrada pelas percepções e pelas lentes dos colaboradores diretos ou pelo crivo de quem não tem acesso ao quadro completo e, então, conclui a partir de frações. Pior ainda é quando o pessoal deixa de informar ou distorce os dados verdadeiros.
O problema do líder que não age é que ele desconhece a realidade da empresa. Isso significa que ele ignora tanto os problemas, como as pessoas - suas características e como elas se comportam, em ação.
Talvez você esteja pensando: "mas eu vou a campo, converso com as pessoas". Conversa o que? Se for sobre coisas fora do trabalho (futebol, família, viagens etc.) não conta; e se for monitoramento genérico (como estamos em relação às metas?), também não conta. As pessoas ficam frustradas com o baixo envolvimento do líder. E o líder, por sua vez, nada aprende com suas "visitas" evasivas.
Abra a caixa preta
Alguns líderes não gostam da realidade. Preferem viver suas fantasias. Quando alguém traz alguma mensagem que contraria seus sonhos, prefere dar cabo do mensageiro. Por conta disso, muitas coisas ficam escondidas na caixa preta. As pessoas procuram evitar a realidade tanto por desejo de agradar, como por receio de desagradar. O resultado será sempre a expansão da ignorância.
Líderes que não gostam da realidade criam meninos travessos que quebram a maçaneta da porta, mas tratam de encaixá-la direitinho, para dar a impressão de que ainda funciona. Simples e banal simulacro. E porque agem dessa maneira? Para evitar confrontações. É assim com o gerente da fábrica, com o responsável pelas contas a receber, pelo representante comercial.
Quer ser um líder de ação? Então coma o filé e roa o osso. Empresa não é um mar de rosas. Seu papel é fazer perguntas que façam vir à tona a realidade, de forma que você possa oferecer às pessoas a ajuda essencial para a correção dos problemas. Opte pela verdade, em vez da falsa harmonia. E o quanto antes. Então, não importa o cheiro, abra a caixa preta!
Não coloque muita carne no fogo
Está bem! Você quer vivenciar cinco anos de história, concentrados em um só? Então, para "ganhar" tempo, definiu dez prioridades para a sua empresa. Sabe o que você consegue com isso? Apenas criar movimento e fazer barulho! Acontece que o ruído impede as pessoas de ouvir a música. Elas não conseguem acompanhar o ritmo, nem têm a menor idéia da direção para onde convergir atenções, tempo e energias. Espera-se que façam lances sem conhecer o próprio jogo.
Os líderes de ação se concentram em algumas poucas metas claras (três no máximo) que todos sejam capazes de assimilar. Eles conseguem ser bastante específicos em relação a prioridades. E jamais têm preguiça de repetir as metas, diariamente, como um mantra, para que ninguém tenha oportunidade de fazer-se de desentendido.
Mostre o fim do filme
A imobilidade tem como origem a falta de visão clara do conjunto. O excesso de metas e a formulação confusa, prolixa. As pessoas não agem até porque estão acostumadas a parar no meio dos processos. Sem jamais ver o final do filme. Ficam tão atordoadas, diante da quantidade de movimentos feitos pelas empresas, que não chegam a lugar nenhum. Muitos planos são interrompidos antes que todos possam comemorar e aprender alguma coisa com eles. São histórias sem fim, enredos incompreendidos. Diante disso, por que perder tempo com elas?
Alguns líderes procrastinam muito as decisões. Levam com a barriga, como se diz no popular. Ação é empenho e desempenho. Início, meio e fim. É determinação. E determinação é a habilidade de tomar decisões difíceis, de forma rápida e eficiente, com imediata tomada de providências, ou seja, ações. E, depois, acompanhá-las. O acompanhamento é um dos truques do líder que age. Faz isso até o final da história. Para finalizá-las com chave de ouro.
Saiba escalar o time
Se você investe uma grande quantidade de tempo e energia em uma série de afazeres - contas, orçamentos, compras e vendas, monitoração do fluxo de caixa -, mas não se atém, com igual empenho, no reconhecimento das competências de seus colaboradores, para fazer a melhor escalação do time, então você é do tipo que cria mais movimento do que ação, mais trabalho do que resultados.
As pessoas estão aí, com seus conhecimentos, habilidades, talentos e dons. Seu papel é reconhecer esse conjunto de competências, colocá-lo em ação e direcioná-lo para a obtenção dos melhores resultados. Saber escalar o time é uma das principais funções do líder que age. Qualquer esporte de equipe está aí, bem diante de nós, para diariamente oferecer essa lição.
Contenha seu ego
Você quer pessoas que massageiam seu ego ou que agem e produzam resultados? Em geral, as primeiras estão sempre concentradas em agradar seus chefes e, assim, não têm tempo nem disposição para fazer o que precisa ser feito. Mas lembre-se: é você quem emite as mensagens subliminares e define o que conta e o que não conta.
Líderes de egos inflados não gostam de pessoas que sejam superiores em inteligência, capacidade, realização. Faltam-lhes autoconfiança, inteligência emocional e humildade. Em troca, sempre manifestam grande tolerância em relação aos colaboradores de baixo desempenho e resultados medíocres, quando se trata de bajuladores contumazes.
O seu papel não é sugar a energia de quem está ao seu redor, enquanto infla o seu ego, mas gerar energia de boa qualidade que estimule as pessoas a oferecer o que elas têm de melhor.
Cuide do essencial
Liderança é disciplina. Exige profundidade e intensidade. Somente o líder é capaz de fazer as coisas acontecerem, através do seu próprio envolvimento no que é essencial. E está aí uma das principais características do líder que age: saber discernir o essencial do trivial. É importante que o líder esteja presente e se faça presente no que é essencial. E com toda a sua energia.
Roberto Adami Tranjan é educador e diretor da Metanoia - Educação nos Negócios www.metanoia.net Seja Rico de Verdade! www.ricodeverdade.com.br

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