São apenas quatro os ingredientes para o sucesso?

Uma vez perguntaram ao famoso ator e cantor francês Yves Montand o que faz o sucesso. Ele respondeu prontamente: centelha! Aquilo me chamou tanto a atenção, que fiquei refletindo sobre a reposta. Afinal, centelha não é uma palavra muito usada, em nosso cotidiano. Ao buscar uma definição no Aurélio, encontrei algo como inspiração, brilho, lampejo. Deduzi então que, para Yves Montand, o sucesso provém da criatividade.

Nesse sentido, o sucesso é consequência de uma boa idéia, de um insight, de uma grande sacada. Tudo isso me pareceu razoável.  Porém, penso que criatividade seja uma parte importante da resposta, mas não explica o todo. Afinal, o que gera a criatividade?

Existe algo que precede a criatividade e esse algo é conhecido como competência. Competência é pré-requisito para que alguém empreenda. Implica conhecer o negócio, o setor de atuação, o mercado.

Mas precisamos continuar puxando o fio da meada, pois se a competência precede a criatividade, algo precede a competência. E esse algo parece ser muito determinante na composição da receita do que faz o sucesso. Afinal, conhecemos pessoas para quem tudo parece dar certo: o trabalho, os negócios, a vida conjugal, etc. Serão elas competentes e criativas? Muitas delas sequer aparentam uma inteligência suprema ou genialidade capaz de explicar seu sucesso. Para compreender melhor o que acontece com elas, vamos para a outra ponta do sucesso, examinando pessoas para quem tudo parece dar errado. Costumam, por exemplo, dizer frases como: “não fiz”, “deixei pela metade”, “desisti”, “voltei ao que era”. A palavra que distingue as pessoas para quem tudo parece dar certo das pessoas para quem tudo parece dar errado chama-se disciplina. Entenda por disciplina a ação perseverante e orientada para determinado intento.

Conseguimos, então, um enredo que explica o sucesso: com disciplina, desenvolvemos a competência; com competência, alcançamos o estágio da criatividade; com criatividade, conquistamos o sucesso.

Isso é tudo?

 

Embora o trinômio disciplina/competência/criatividade explique o sucesso de forma mais ampla, parece existir algo mais. Esse algo pode ser compreendido como sorte. Afinal, todos nós conhecemos pessoas esforçadas e, portanto, supostamente disciplinadas, que não alcançaram o sucesso. Também conhecemos pessoas inteligentes e competentes, mas que também não chegaram lá. E quem não conhece pessoas geniais, com a criatividade à flor da pele, caminhando a esmo, sem rumo?

Caminhar a esmo dá a pista para o que ainda falta nessa abordagem e esse algo é o propósito. É ele que nos dá a direção, o sentido para onde devemos canalizar a ação disciplinada, as competências e as idéias. É preciso definir uma direção, um norte. Mas que tudo isso não venha apenas de um desejo pessoal ou profissional. O desafio é encaixar o propósito pessoal e profissional no propósito dos acontecimentos. Ou seja, é preciso que o propósito de uma empresa seja compatível com os propósitos revelados pelas tendências, pelo fluxo do mercado, pelos comportamentos dos clientes.

O que chamamos de sorte, na maioria das vezes, nada tem a ver com sorte. É saber compatibilizar o propósito pessoal com o propósito dos acontecimentos. E isso não elimina o exercício da disciplina, capaz de desenvolver competências e de despertar o talento criativo. É isso tudo o que constitui, que constrói o sucesso!

Mas será que é tudo, mesmo? Fica no ar a indagação, que nos inspira a continuar pensando nesse tema, tão intrigante. Refletir é uma boa idéia para acender luzes sobre algumas sombras. E, quem sabe, para descobrirmos o verdadeiro sentido daquela centelha, em nossas próprias vidas e empresas.

Publicado: Administradores.com