A empresa viva

Para começo de conversa e sem delongas, uma empresa só está viva se em processo de mudança. Estagnação é morte! Processos de mudança, no entanto, são muito estranhos.

Mexo com isso há vários anos e continuo me sentindo desafiado a cada vez. Comecei, como consultor, orientando processos de mudança organizacionais. Uma empresa é um sistema e mudá-lo, principalmente quando gira no mesmo compasso há anos, não é tarefa fácil. Mesmo assim, obtinha algum êxito.

Tudo melhorou quando notei que dentro dos sistemas-empresa existe uma peça fundamental, tanto para o bem quanto para o mal: o líder.

Depois dessa descoberta – um tanto óbvia, vista em retrospectiva -, constatei ser mais eficaz a mudança do líder a partir do seu modelo mental, do que do sistema. Uma empresa só muda se as pessoas que lá trabalham mudarem, algo que só acontece – ou não – a depender da liderança. Liderança, nesse caso, implica o conjunto de líderes.

De consultor transformei-me em educador e, sem dúvida, em agente de mudança mais bem-sucedido. Mas, como disse e agora repito, para frisar, processos de mudança são muito estranhos: alguns líderes acreditam que todos precisam mudar, menos eles. E a experiência tem mostrado que pouco ou nada se consegue sem que as principais lideranças mergulhem no processo.

As estranhezas vão além. Depois de contribuir com centenas de empresas e líderes ao longo dos últimos vinte anos, eu e meus colaboradores sabemos quais os “botões” apertar para que as boas mudanças ocorram. Algumas são até fáceis de implementar, mas ninguém quer mexer no que parece funcionar. “Afinal, está dando certo. Para que sacudir o barco? ” Mesmo que seja para navegar melhor, não vale a pena – acreditam alguns.

Mudanças sempre causarão estranheza não apenas por questões racionais, mas principalmente pelas emocionais. A menos que o estado atual seja muito ruim, há quem se agarre com unhas e dentes ao status-quo e, a qualquer movimento evolutivo, o ímpeto é retornar ao que era.

Apego? Dúvida? Medo do desconhecido, de perder o controle?

Pode ser um pouco disso ou mesmo tudo e algo mais.

Mudar quando as coisas estão ruins com o intuito de evitar a bancarrota é o que precisa ser feito e nessa decisão não há mérito nenhum. Mudar quando as coisas vão bem antecipando-se aos movimentos é uma questão de inteligência e sabedoria. Mas, na maioria das vezes, para que não seja um mero movimento ao invés de uma mudança verdadeira, o que falta é um senso de propósito.

No meu mais recente livro, Pedaços de Brasil que dão certo, discorro sobre mudanças em várias empresas, dos mais distintos ramos de atividades, em diferentes localidades do Brasil. O que todas têm em comum é que seus líderes não pensaram, a princípio, em mudar suas empresas. Começaram com um grande desejo de promover a vida humana – para além dos seus negócios – e depois se questionaram sobre as condições para que suas empresas apoiassem o que seria um verdadeiro florescimento da vida.

Uma empresa sempre estará no bom caminho se contribuir para o seu ecossistema de negócios a partir da promoção da vida. Afinal, depois das revoluções industrial e informacional, é chegada a hora da revolução da Vida. Preparar a empresa para ingressar nessa nova ordem é o que precisa ser feito. E já!

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Adolfo
Adolfo
7 meses atrás

Muito bom! Anotado “promoção da Vida”

James
James
6 meses atrás

Sim Amigo Roberto, mudar já. Incrível que parece não faltar o desejo Todos querem a Revolução da Vida ou já estão vivenciando-a . Digo assim porque penso sobre aquilo que Você sempre fala _até o mais cético amolece quando se toca no seu coração. E há muitos exemplos de revolução da vida. Um exemplo pode ser o fenômeno Barbi na qual conversamos nesses dias onde, tendo um olhar da Economia ao Natural podemos tirar muitas boas lições de Inovação, mudança de cultura e vulnerabilidade. Então, isso me diz que todos queremos a Revolução da Vida e sendo uma tendência tudo inclina para este caminho. Modestamente acho que é mais fácil para um Metanóico ver dessa forma pois de outros olhares negligentes e preconceituosos é muito difícil tais constatações. Sobre o livro “Pedaços de Brasil que dão certo” na qual a Plasticoville participa com toda essência desenvolvendo vida no plástico, onde este livro é do projeto Brasil ao Natural, fico com a música de Ginga e Anna Paes cantando “A quatro mãos” emocionam o ouvinte atento ás mensagens que levam cada palavra significando a importância da solidariedade nesses tempos de mudança tão necessárias que todos queremos e que todos podemos fazer juntos.

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