A lição do Pequeno Príncipe sobre a importância dos ritos

– Por favor… cativa-me! disse a raposa.

– Bem quisera, disse o principezinho, mas eu não tenho muito tempo. Tenho amigos a descobrir e muitas coisas a conhecer.

Assim começa uma prosa marcante, no livro O Pequeno Príncipe. O clássico de Antoine de Saint-Exupéry continua atual, embora escrito há mais de seis décadas.

– A gente só conhece bem as coisas que cativou, disse a raposa. Os homens não têm mais tempo de conhecer coisa alguma. Compram tudo prontinho nas lojas. Mas como não existem lojas de amigos, os homens não têm mais amigos. Se queres um amigo, cativa-me!

– Que é preciso fazer? Perguntou o principezinho.

– É preciso ser paciente, respondeu a raposa.

Paciência ou parcimônia. Quem as tem em tempos que pedem pressa? Depois que o Pequeno Príncipe começa a dar atenção à raposa, o interesse dele é despertado: “O que é preciso fazer?”. Tanto que ele retorna, no dia seguinte.

– Teria sido melhor voltares à mesma hora, disse a raposa. Se tu vens, por exemplo, às quatro horas da tarde, desde as três eu começarei a ser feliz. Quanto mais a hora for chegando, mais eu me sentirei feliz. Às quatro horas, então, estarei inquieta e agitada: descobrirei o preço da felicidade! Mas se tu vens a qualquer momento, nunca saberei a hora de preparar o coração… Precisamos de ritos.

– Que é um rito?, perguntou o principezinho.

– É uma coisa muito esquecida também, disse a raposa. É o que faz com que um dia seja diferente dos outros dias, e uma hora, diferente de outras horas.

“Precisamos de ritos”. Sem eles, só nos restam as rotinas sem muita pausa, naquele velho batidão vivido no piloto automático. Diferente das rotinas, o rito é o tempo com significado. Ele abre a virtuosa oportunidade de fazer com que as coisas – incluindo as rotinas – sejam feitas com presença de espírito. E isso muda tudo. Graças aos ritos – e apesar das rotinas – “um dia é diferente dos outros dias”.

E assim o Pequeno Príncipe vai aprendendo com a raposa sobre relacionamentos, sobre cativar ou fidelizar, sobre a importância dos ritos ou rituais e sobre dar tempo e espaço para que o amor aflore, depois que a atenção e o interesse fizeram a sua parte. Um exemplo de Reviravolta AIA. Um livro para gente grande recriar as maravilhas despertadas pelo interesse genuíno, que conduz ao amor. Mergulhe e comprove!

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Jean
Jean
1 mês atrás

Sensacional Roberto, conexão total no interesse genuíno. Relações que sustentam o amor e os negócios.

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