Cuidado com o que você deseja

Freud levava a sério os sonhos. Dizia que eles “representavam a realização disfarçada de um desejo reprimido”. Embora tenham ficado com a boa fama dando nome a muitos best-sellers – “nunca desista de seus sonhos”, “você é do tamanho dos seus sonhos” -, são os desejos que possuem a força de contar histórias.

Desejo, no entanto, é diferente de carência, embora se pareçam, principalmente nos seus efeitos. Ambos nos colocam em movimento, seja para saciar uma, seja para realizar o outro. A diferença está no sentido da seta, embora o alvo (ou o sonho), possa ser o mesmo.

Quem se atém à carência, se retém ao que lhe falta. Paralisa-se, estagna-se ou retrocede. Tentando preencher a falta, perde o sonho (ou o alvo) de vista, fixando-se em si. Nesse movimento autofágico, sem nada realizar, consome-se.

O desejo é da ordem da oferta, da farta que pode ser doada sem restrições. Quando oferecemos nossos conhecimentos e habilidades, dons e talentos, valores e virtudes, nós nos abrimos ao mundo rumo ao nosso devir – o que Aristóteles chamava de potentia ou a capacidade de vir a ser.

O desejo de cada um de nós não está do lado de fora, mas do lado de dentro. No meu recente livro “Pedaços de Brasil que dão certo” destaco dois tipos de economias: a de fora e a de dentro.

A economia de fora é a que periclita eternamente nos noticiários pedindo reformas que teimam em não se realizar. Trata dos embates entre as privatizações e a interferência estatal, da entrada para investimentos, subsídios e desonerações, da complexidade tributária, dos impostos para importação e dos ganhos de produtividade, da oferta de crédito, dos encargos trabalhistas, dos custos da energia elétrica e dos combustíveis. Todas essas coisas são importantes e interessam. Mas qual o poder efetivo que temos sobre elas?

É na economia de dentro que se encontra o potencial de realização da maioria dos mortais. Depende do preparo  individual, da disciplina para o aprendizado, do jeito de trabalhar e fazer negócios, das relações e conexões humanas, dos valores e virtudes cultivados e, sobretudo, da qualidade do desejo.

Por isso, tenha cuidado com o seu desejar profundo. É na economia de dentro, onde residem os mais nobres desejos individuais e coletivos, que você pode efetivar mudanças consistentes na economia de fora.

Vale para uma empresa, vale para uma nação. É assim que se constroem pedaços de Brasil que dão certo. Sim, existem! Confira e siga o caminho da farta.

Se inscrever
Notificar de
guest
1 Comentário
Mais velho
O mais novo Mais votado
Inline Feedbacks
View all comments
Tairone
Tairone
8 meses atrás

Espetacular!!!!!! ❤️

Quem leu esse artigo também leu esses:


Vamos conversar?