Maravilhe-se!

“Nem especialmente inteligente, também não especialmente dotado. Apenas muito, muito curioso. ”

Ganha um doce quem adivinhar o autor da frase em que ele se definia. Antes, deixe-me dizer algumas coisas sobre a curiosidade. Às vezes o que falta, mesmo, é um impulso na vida e no trabalho. Vamos nos ater à segunda opção.

Muita gente é predisposta ao que faz – tarefeira, portanto -, mas pouca gente é predisposta à curiosidade. É certo que o arranjo de trabalho nas empresas, normalmente representado pelo organograma, prevê um conjunto de afazeres por meio de cargos e funções e não estimula aqueles que querem saber, compreender, aprender. “Faça o seu trabalho e não arranje mais problemas” é o recado subliminar dado nos ambientes em que o controle e o cumprimento das normas se sobrepõem à satisfação do cliente. Então, todos se repetem cotidianamente, fazendo as mesmas coisas sempre do mesmo jeito, sem saber, ao certo, se geram resultados e aprendizados.

Sob uma liderança centralizadora, ninguém se arvora em fazer perguntas, pois a curiosidade não é valorizada. É, ao contrário, desfavorecida em ambientes controladores, onde heróis defensores de clientes – transgressores de normas – são espécies raras. Perdem as pessoas em aprendizado, perdem os clientes, perde a empresa em resultados.

Os tarefeiros seguem suas rotinas e tudo o que querem é preservá-las. Existe, no entanto, um agente impertinente ávido a romper rotinas: o cliente, que não é visto com bons olhos pelo tarefeiro, um ser bem-intencionado, ninguém nega, mas concentrado em só fazer o que já sabe, nada aprende. Assim, pouco ou nada evolui. Quando sai de uma empresa é para seguir reproduzindo a mesmice, em outra.

Uma boa notícia

A Reviravolta AIA, apresentada no meu recente livro Capital Relacional, instiga comportamentos desenvoltos e desavergonhados, em prol da curiosidade e do aprendizado. Os curiosos estão mais próximos da realidade, querem saber se os clientes estão ou não satisfeitos e tratam de conferir a satisfação in loco.

Enquanto os tarefeiros acreditam que já conhecem as respostas, acomodados em suas redomas de trabalho, os curiosos admitem que as respostas conhecidas fazem parte de um enredo muito mais amplo. Sabem que clientes e suas necessidades configuram um emaranhado de fatores materiais, morais, emocionais e psicológicos.

Antes que eu declare o autor da frase, deixe-me dar uma boa notícia e que tem tudo a ver com a vida: todos somos curiosos. Para que a afirmação citada corresponda à verdade, precisamos isolar o contexto, ou seja, o ambiente, para examinar o ser humano em seu estado natural, ou seja, curioso por natureza. Duvida? Então volte à sua infância repleta de porquês, descobertas e maravilhamentos.

Se você deseja trazer a sua criança curiosa de volta, então saia do casulo ou da caixinha que representa o seu cargo ou função e faça parte da Reviravolta AIA. Misture-se, faça contatos, converse com as pessoas, escute mais, aproveite ao máximo os relacionamentos para aprender e compreender. Ouse mais ainda: coloque-se no lugar da outra pessoa, viva experiências não planejadas, altere a sua rotina diária para adaptá-la às necessidades alheias.

Deixe a pressa de lado, evite os atalhos, rompa com o script tradicional. Sinta-se estrangeiro, mas não só em terras desconhecidas e sim, principalmente, naquelas que acredita conhecer. Descubra e aprenda com quem e para quem você efetivamente trabalha.

Mantenha a sua mente cheia de pontos de interrogação para permitir que os outros – clientes e colaboradores – tenham a última palavra.

Em suma: apresente-se! Esteja presente! Reverencie! Escute! Pratique a empatia! Calce o sapato do outro! Sinta o que ele sente!

Como seres naturalmente curiosos, gostamos das descobertas e do aprendizado. Se a nossa criança interior continua viva, estamos abertos a maravilhamentos, portanto capazes de transformar o trabalho em pulsante alegria. Foi assim que Albert Einstein, o autor da frase, se tornou o genial cientista. Coragem para maravilhar-se!

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Roberto IdeP
Roberto IdeP
2 anos atrás

“A curiosidade é o princípio da sabedoria.”

Guilherme Calderano
Guilherme Calderano
2 anos atrás

Muito legal! Obrigado pelo texto e reflexão!

Erwin Franieck
Erwin Franieck
2 anos atrás

Sem curiosidade não temos a faísca que gera o aprendizado humano.

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