Um pequenino grão de areia

Nós nos sentimos impotentes, às vezes, diante de tragédias, descalabros e insensatez no mundo. Por se tratar de questões perturbadoras, é melhor deixar para lá. Ficamos passivos diante das dores e fazemos de conta que não nos atingem.

Inútil acreditar que as coisas ocorridas longe de nós não nos afetam. Quanto maior a dor, mais nos sentimos esmagados e amordaçados, mesmo que não nos demos conta. O sofrimento máximo, no entanto, é a desconexão da nossa verdadeira natureza e a tentativa de vivermos dela afastados. Naturezas – a cósmica e a humana – compõem o mesmo grão de areia de onde tudo se originou.

Ao acreditar que nada podemos fazer, optamos por omissão e silêncio. Se não quisermos dizer com palavras, que o façamos com gestos, pequenos que sejam. Assim, podemos dar a nossa contribuição ao mundo, mesmo que sutil. Na somatória, contribuímos para um mundo mais tolerante e cordial.

Gestos de elegância podem se contrapor à dor do mundo. Há quem os veja como frágeis ou de baixo impacto. Na verdade, constituem uma nobreza, uma nobreza de espírito.

Gestos de elegância podem mudar a atmosfera de tóxica para atóxica, como acolher, com tempo e atenção, quem nos procura pedindo ajuda; sorrir, para descontrair o ambiente de trabalho; realçar os pontos positivos e as qualidades de uma pessoa sempre que alguém começa a falar mal dela; oferecer ajuda, mesmo que não seja solicitada; dar e pedir perdão para manter a alma leve, de ambos os lados.

Saindo da torre de marfim e do isolamento do ego, por meio de pequenos grandes gestos, logo nos sentiremos libertos e animados para ir além. Tudo começa por oferecer um pouco de atenção, em seguida se eleva o interesse por doar mais e eis que, de repente, o amor – sempre a melhor estratégia – aflora.

Alguém deve estar pensando “as mazelas do mundo são imensas, pequenos gestos de elegância são como ínfimos   grãos de areia, não vão surtir efeitos”. Volto a lembrar, caso você tenha se esquecido ou passado por alto: tudo começou num pequeno grão de areia cósmica. Vamos, portanto, retornar ao natural. A viagem faz todo o sentido. Então, venha!

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