“Devagar, porque estamos com pressa”

Disseram-me que esse é um dito espanhol. Não tenho certeza. O que sei é que vivemos sob o império da velocidade.

Reuniões rápidas, treinamentos rápidos, respostas rápidas, resultados rápidos. Nas organizações, rápido virou sinônimo de eficiente e devagar virou sinônimo de lerdeza. Queremos decisões instantâneas, resultados imediatos, treinamentos curtos, soluções prontas. Se demora, parece fracasso. Mas atenção: o rápido pode atrasar e o devagar pode acelerar.

Acontece que a pressa gera movimento, mas não aprendizado. Por isso, corre-se muito, mas transforma-se pouco. Quantas vezes corremos para treinar pessoas que ainda não entenderam o porquê? Quantas vezes implantamos soluções que ninguém incorporou? Quantas vezes repetimos o mesmo erro com eficiência primorosa?

O rápido parece produtivo, mas nos faz girar em falso.

A Roda do Aprendizado propõe um ritmo diferente. Desacelera quando quase todos insistem em acelerar. Solicita demora na escuta, na percepção, no diálogo, na construção de significado.

À primeira vista, isso incomoda, parece ineficiente e que não vai chegar a lugar nenhum. “Por que tanta conversa?”, “por que não ir direto à solução?”, “por que não ensinar logo o que precisa ser feito?”

Sabe por quê? Porque solução sem consciência é maquiagem. Funciona por um dia, mas desmorona no outro.

A aprendizagem verdadeira é como o cultivo: durante um tempo, nada se vê, mas a raiz está crescendo.

De repente, não mais que de repente, tão logo o conhecimento se consolida, algo curioso acontece: a execução se acelera. A experimentação flui, a habilidade logo se instala, a incorporação é consistente.

O que, no começo, parecia lento, depois torna o resto mais rápido. O devagar da consciência é o que permite a velocidade da competência.

A pergunta certa, portanto, não é “como fazer mais rápido?”, mas “como aprender com mais consistência?”. Conhecimento incorporado é capital instalado. Nesse sentido, aprender não é perda de tempo, é investimento de tempo.

Rapidez sem profundidade cansa. Aprender com profundidade gera potência capaz de sustentar resultados duradouros.

Se o dito a princípio não for mesmo de origem espanhola, segue outro de origem italiana: “o homem mede o tempo, e o tempo mede o homem”.

Qual é a justa medida?

Se inscrever
Notificar de
guest
0 Comentários
Inline Feedbacks
View all comments

Quem leu esse artigo também leu esses:

  • Quais agendas você usa para planejar o ano?

    Mais um ano iniciado. Queremos que ele seja próspero e, claro, que os resultados se...

  • Por que os clientes estão sempre insatisfeitos?

    Theodore Levitt, o célebre guru de marketing, dizia que “não existem indústrias de prestação de...

  • Nada menos real que a realidade.

    Aprendi – ao conduzir a Metanoia que não existe “realidade objetiva”. Isso causa um certo...


Vamos conversar?