A ação é uma mestra insubstituível

Diz-se que não foi o mar que se abriu para que Moisés o atravessasse seguido dos hebreus, mas foi Moisés que deu o passo e daí o mar se abriu. A diferença é grande.

Alegorias bíblicas sempre trazem ensinamentos. A mensagem dessa vez é: coloque-se em ação, dê o passo. Por mais que nos preparemos para viver determinada experiência, nunca saberemos do que se trata, realmente, enquanto não a vivenciarmos ao vivo e em cores. A ação é uma mestra insubstituível.

Atores e cantores sentem medo antes das apresentações e só adquirem confiança quando sobem ao palco. Lá, na ribalta, diante do público, nem se parecem com aqueles que, inquietos, poucos minutos antes aguardavam ansiosos em seus camarins. Palestrantes, também. Digo por experiência própria.

É preciso confiar na ação. Seguir em frente não pela confiança em si, mas porque é assim que a confiança se expressa. Se esperarmos sanar todas as incertezas para seguir em frente, viveremos a parálise, ou seja, aquele estado sedentário e neurótico de destilar todas as alternativas que as circunstâncias oferecem antes de decidir – às vezes, indefinidamente – pelo primeiro passo.

Algumas coisas só somos capazes de aprender por meio da ação. Não há o que a substitua. Teoria alguma prescinde da boa prática, por meio da qual, aliás, as teorias foram desenvolvidas.

A ação é também parceira do conhecimento e da criatividade. Muito do que ignoramos ou não somos capazes de compreender se configura durante a ação, incluindo a escrita. Ideias que não vieram à tona enquanto se planejava um texto surgem espontaneamente no exercício da escrita. O exemplo vale para todos os ofícios.

Agir é um convite para sair de si e perambular. Ao sair pelo mundo, já não temos controle sobre as situações. Algumas coisas dependem da gente, outras não. Mas é justamente nessa perda do controle que o mar se abre em possibilidades e oportunidades.

No início, os passos são incertos e relutantes. Aos poucos vão se tornando firmes e resolutos. A cada um, a confiança cresce. É quando nos sentimos animados a confiar na realidade, nas pessoas que encontramos pelo caminho e em nós mesmos. Antes, no entanto, é preciso confiar na grande mestra: a própria ação. Pratique e constate!

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