De volta ao natural

“Enquanto eu viver em paz com as estações, estou certo de que nada poderá fazer de minha vida um fardo.”

A frase de Henry David Thoreau mostra alguém em paz com a natureza. Não apenas com a Natureza, mas com sua própria natureza. E qual a relação entre ambas?

Pensemos nos quatro elementos da natureza: água, terra, fogo e ar. Deles surgiram os três reinos: animal, vegetal, mineral.

O reino animal tem também suas classificações: vertebrados e invertebrados. Dos que possuem vértebras existem cinco grupos: peixes, répteis, anfíbios, aves e mamíferos.

Finalmente, os seres humanos. Somos apenas mais um na ampla classificação dos mamíferos. Apenas e não mais que isso. Um dos componentes da Natureza, portanto, coabitando com todos os outros.

Sei lá onde perdemos o pé, mas nossa espécie deu de se achar dona da Natureza e dela faz e desfaz. Uma distorção sobre a própria compreensão do papel que deveríamos exercer diante da Mãe Terra, nossa Pacha Mama.

O problema está na qualidade da relação: ao querer dominar a Natureza, fazemos dela objeto e não sujeito. Assim, deixa de ser mãe para se tornar filha desnaturada. Desnaturado é aquele que mudou a natureza. Ao desnaturá-la, também nos desnaturamos – uma consequência inevitável. Se recorrermos ao Houaiss para buscar uma definição de desnaturado, encontraremos “que ou aquele que é destituído dos sentimentos considerados como naturais do homem”. Ou seja, aos poucos vamos deixando de lado a nossa qualidade de humanos.

No ano que passou, durante o lançamento do livro Capital Relacional, muito escrevi e discorri sobre relacionamentos, sempre acentuando o mundo dos negócios. Relacionamentos, no entanto, para além daqueles apropriados aos seres humanos – sejam clientes ou colaboradores – valem para todas as relações que estabelecemos com o nosso entorno: colegas da escola, amigos das agremiações, vizinhos do prédio, moradores do bairro, cidadãos da cidade, compatriotas, irmãos de outras raças ou nações, incluindo imigrantes e refugiados. As relações, então, incluem todos os seres viventes que compõem a Natureza, por ela gerados.

A exemplo de Thoreau, e antes que nos descaracterizemos por completo, precisamos de um retorno urgente ao Natural. É hora de fazer as pazes com as estações. Para nosso próprio bem!

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