Para que servem empreendedores e negócios?

Os empreendedores e seus respectivos negócios servem para contribuir com o mundo – eis uma breve resposta para a questão.

É algo que pode ser considerado utópico, romântico, estranho?

É razoável que se duvide, se desconfie ou sinta estranheza diante de tal afirmação. De fato, temos muitas histórias cuja seta segue em sentido contrário. E, talvez, isso não pareça estranho. Veja a seguir.

Muitos empreendedores têm por filosofia a obsessão por resultados, conquistados de forma agressiva, sem meias medidas. O receituário é bem conhecido.

Os custos são reduzidos ao máximo, sem que os gestores tenham alguma autonomia para reagir ou negociar. Empatia zero. Não há critérios para os cortes. Determina-se o percentual de redução e todos têm de segui-lo, implacavelmente.

A meritocracia ainda é, em muitos casos, o modelo de remuneração em que os salários são mantidos em patamares baixos e o complemento da renda, a parcela maior, depende das vendas e dos resultados.

Colaboradores são espremidos ao máximo e os que recebem salários mais altos são promovidos a gerentes para não ter de pagar horas extras.

Com os fornecedores não é diferente. A empresa se compromete a pagá-los em 30 dias. Unilateralmente, estende o prazo para 60 dias. Quando ligam para reclamar, sequer são atendidos. E o interregno é ampliado para 90 e até 180 dias. Quando estão pela hora da morte, resolvem pagar sem juros e com desconto. Não é difícil imaginar como fica a vida desses credores.

Não são poucos os fornecedores que, animados com grandes pedidos, ampliam suas instalações para depois ficar à mercê dos interesses e determinações do cliente usurpador, sucumbindo sem que haja alguma piedade.

Com os clientes não é diferente. Quando há erros nos preços e reclamações, os gestores, em vez de resolver o problema, tratam de transferi-lo para o departamento jurídico.

Para que servem os empreendedores e os seus negócios? Por incrível que pareça, esses eram referências no mercado e até admirados.  O negócio sobreviveu nos últimos dez anos sustentado por “inconsistências contábeis”, ou seja, lucros fictícios que, ainda assim, geravam dividendos reais aos seus beneficiados e eram distribuídos para benefício de poucos e prejuízo de muitos.

As tais inconsistências contábeis foram reconhecidas como fraudes no valor de 48 bilhões de reais, cinco vezes o patrimônio da empresa, e sete vezes mais do que o escândalo da Petrobrás denunciado diariamente pela imprensa à época.

Nessa altura, quem lê já sabe que me refiro às Americanas e à maior fraude da história das organizações brasileiras, cujos desdobramentos afetam todo o mercado. Seus efeitos, resquícios e sequelas ainda estão por vir, principalmente no mercado varejista.

Repito a pergunta para que haja uma reflexão profunda a respeito: para que servem empreendedores e negócios?

Tudo começa pela intenção. Na economia normal, não causa estranheza começar pelo G da ganância, de forma revelada, como o caso citado, ou velada.

Na Economia ao Natural, começa pelo G da generosidade, gentileza e gratidão. Utópico, romântico, estranho? Fica ao encargo de quem lê imaginar em que economia pretende viver. É, sim, uma questão de escolha!

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Edson Lima
Edson Lima
7 meses atrás

E o pior Roberto, isso era ou é definido como ” sucesso” . Muito triste

Clotilde
Clotilde
7 meses atrás

Faz uma grande diferença entre olhar para o próprio umbigo e olhar para o entorno. Ainda somos Seres em evolução, mas precisamos estar muito atentos a quem queremos obedecer, acreditar, seguir. Esse Mundo está precisando de que nos dediquemos mais a espiritualidade, a boas energia. Fica aqui a minha reflexão para mim. Um grande abraço Roberto

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