Liderar é educar

Muita gente acha que liderar é conduzir pessoas a resultados. Outros acreditam que é tomar decisões difíceis. Há quem pense que é ter respostas.

Liderar, porém, é cuidar do tipo de aprendizagem que acontece todos os dias. Afinal, onde há liderança, há aprendizagem. 

As pessoas aprendem pelo que é dito, permitido, tolerado e, sobretudo, praticado. Aprendem como conviver, discordar, decidir. Aprendem quando a palavra circula ou quando o silêncio é mais seguro.

Um líder nunca é neutro. Ele educa, inclusive – atenção! – quando não percebe. Há lideranças que ensinam medo. Outras ensinam pressa. Algumas ensinam obediência. E há as que ensinam convivência.

A gestão relacional é um desses aprendizados preciosos. Aprende-se a dialogar sem se anular, a escutar sem concordar, a decidir sem disputar. Não nasce de técnicas, mas de consciência. De líderes que sabem que relações também precisam ser cuidadas. É delas que o trabalho acontece.

Quando a liderança ignora isso, a empresa até decide, mas não constrói. Até avança, mas não integra. Conflitos se acumulam, ressentimentos se escondem e a boa aprendizagem é prejudicada.

Aprender a trabalhar junto é uma das aprendizagens mais importantes – e mais negligenciadas – da vida adulta.

A gestão participativa amplia esse campo. Quando o líder envolve as pessoas nas decisões que as afetam, algo essencial acontece: o trabalho deixa de ser imposto e passa a ser assumido. A decisão deixa de ser apenas o que precisa ser feito e passa a ser compreendida porquê precisa ser feita.

Participar não significa ausência de poder. Significa compartilhar o poder. Significa criar espaço para que diferentes percepções emerjam, sejam observadas, ganhem significado e se transformem em decisões mais conscientes e sustentáveis.

Tanto a gestão relacional como a gestão participativa compõem o que denominamos de gestão humanizada. Por trás desse movimento – perceber, dialogar, decidir, experimentar, aprender – está em ação a Roda do Aprendizado, o método que transforma o líder em educador.

O líder educador é um líder de alta potência. É quem protege o tempo da conversa antes da pressa, aproveita os desafios para criar aprendizados coletivos e sustenta o consenso possível ao invés da unanimidade frágil.

Há quem receie que esse processo de aprendizagem torne a empresa mais lenta. Torna-se, na verdade, mais madura e consistente.

O maior legado da liderança não está nas metas batidas, mas na potência que deixou instalada na forma de pessoas que sabem conviver, decidir juntas e aprender a gostar do que fazem.

Líderes passam, estruturas mudam, resultados envelhecem, mas a aprendizagem incorporada em cada indivíduo permanece.

A Roda do Aprendizado – em breve a seu alcance, como livro – nasce desse entendimento: liderar é cuidar dos processos e resultados, mas, sobretudo, da elevação da potência do capital humano. Do quanto ele é capaz de realizar, enquanto cada indivíduo é capaz de se autorrealizar.

Quando isso acontece, o trabalho ganha sentido, as pessoas crescem e o futuro encontra chão firme para se sustentar.

Pratique para constatar!

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