Gestor, transforme a rotina em eterna ventura

Todo dia ela faz tudo sempre igual

Me sacode às seis horas da manhã

Esses são os primeiros versos da belíssima canção Cotidiano de Chico Buarque, indicando uma desinteressante rotina. 

Sabemos que certas repetições, no cotidiano, facilitam a nossa vida. Imagine a dificuldade de reinventar todos os dias a forma de escovar os dentes ou de buscar um novo trajeto para ir de casa ao o trabalho. Alguns, só de imaginar, já cansam. Por outro lado, a rotina tem o perverso poder de nos colocar e manter no modo automático. É assim que perdemos a atenção, o interesse, o encanto e a capacidade de conexão com mundo ao redor.

Relações no piloto automático tendem ao esfriamento. A perda de qualidade é fatal, tanto nas relações profissionais como pessoais.

“Surpreenda-me!”, eis a súplica dos colaboradores. 

Quando o trabalho não oferece nenhuma surpresa, o presenteísmo é certo. Presenteísmo – algo que ainda nem consta nos dicionários – é uma palavra moderna que significa estar presente apenas de corpo. Mente e alma vagueiam por aí, em geral na internet, nas redes sociais, gerando a dopamina que o trabalho, enquadrado na rotina, não é capaz.

Antes do presenteísmo existia o absenteísmo, ou seja, ausência de corpo, mente e alma, muitas vezes respaldada por um atestado médico. 

Qualquer que seja o ismo, a súplica é “surpreenda-me!”. 

Atenção, gestores, não fiquem incomodados com essa súplica. É legítima, natural e humana. Quem se alegra de viver a mesmice todos os dias, sem o menor estímulo ao engajamento?

Surpreender não é algo que traga custos para a empresa ou que exija imaginar ideias originais todos os dias. Às vezes tem a ver com uma palavra sincera, um olhar de gratidão, um simples reconhecimento. 

A depender do gestor, deixar de olhar para o monitor ou o celular, concentrando o foco no integrante de sua equipe, olhando-o diretamente e ouvindo-o com atenção pode ser uma surpresa e tanto, para esse suplicante colaborador!  E nada custa, senão genuíno interesse. 

Todo colaborador quer se sentir orgulhoso do lugar onde trabalha. Não é algo que vem do lucro gerado pela empresa nem de seu posicionamento no ranking diante da concorrência, mas de inesperados e pequenos grandes gestos do gestor. 

Todo colaborador quer se engajar, assumir compromissos, ser responsável, exercitar a sua autonomia e criatividade, realizar-se. São coisas naturais a depender da capacidade do gestor de transformar a rotina diária em eterna ventura.

Capital Relacional é o nome desse contentamento. Experimente e agregue, sem contraindicações, a seu estilo!

Quem leu esse artigo também leu esses: