Aposte no sexto sentido

Decisões! Como nos livrar delas? Impossível. Não parece, mas em um dia inteiro, tomamos mais de uma centena delas, desde as bem simples (bebo um copo de água agora ou mais tarde?), até as muito fáceis (vou almoçar com fulano ou sicrano?), passando pelas difíceis (troco o carro por um novo ou mantenho o mesmo por mais tempo?) ou bastante complexas (devo me separar ou manter o casamento?). 

Existem dois diferentes processos para tomar decisões: o rápido e o devagar. O primeiro é emocional, o segundo, racional. Devido à urgência, complexidade e desdobramentos, oscilamos entre uma e outra opção no transcorrer das 24 horas. 

O bom senso nos pede que sejamos racionais na tomada de decisões (“não se deixe levar pelas emoções”, já ouviu isso antes?), para evitar arrependimentos posteriores. Pode ser. O raciocínio lógico até ajuda, mas nem sempre é adequado. 

Existe um sexto sentido, algo inexplicável racionalmente e que pode ser de boa valia, mas fora dos enquadramentos clássicos, pois não é racional nem emocional. Todos nós temos um lado intuitivo que podemos acessar.

Exemplificando: sabemos que a perseverança é um valor louvável, mas até quando vale insistir? Se as derrotas se acumulam, no uso dessa alternativa, pode significar que está na hora de colocar a viola no saco, ou seja, desistir. É isso que o sexto sentido sinaliza. Por outro lado, uma série de acontecimentos fortuitos pode significar que está chovendo na horta, portanto, aproveite. É o que o sexto sentido capta e informa. Não espere por fundamentos, inexistem. 

Uma série de informações repetitivas costuma indicar um sentido de urgência sobre aquele tema, assim como a dificuldade de obter informações quer dizer que não sejam tão necessárias e que não vale a pena correr atrás delas.

Assim como problemas físicos podem apontar estresse, acontecimentos desagradáveis em série revelam que está na hora de recuar e desviar daquele campo minado.

Obstáculos podem indicar que o ego está na frente dificultando o bom andamento do que deve ter sequência. Tem, portanto, de ser desinflado. Velhos problemas persistentes requerem atenção devida, da mesma forma que traições recorrentes pedem observar melhor em quem se confia.

Lembranças negativas ou positivas talvez sejam indícios de arquivos pendentes a resolver ou encarar, para descobrir seu real significado.  

Faça uso do racional e do emocional, mas sempre considere seu sexto sentido. Está aí, em seu interior, como uma força a considerar. Por mais incrível que pareça, “há mais coisas entre o céu e a terra do que sonha a nossa vã filosofia”. William Shakespeare já sabia disso há mais de quatrocentos anos. Aceite e use!

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