As raízes da paz

 

Há coincidências que parecem ter sido plantadas de propósito. A 21 de setembro, no Brasil, celebramos o Dia da Árvore. Na mesma data, as Nações Unidas comemoram o Dia Internacional da Paz.

A árvore. A paz. À primeira vista, parecem pertencer a mundos diferentes. A árvore, à natureza. A paz, aos homens. Penso, no entanto, que estamos falando da mesma coisa. 

Uma árvore não começa pela copa, mas pela raiz. Antes de oferecer sombra, precisa encontrar o chão. Antes de alcançar o céu, precisa se firmar na terra. Cresce devagar, quase em silêncio. E, depois, não pergunta quem merece a sua sombra.

A paz segue a mesma analogia. Costumamos imaginá-la como ausência de guerra, de conflito, de armas. Antes disso tudo, começa quando aprendemos a conviver com aquilo que é diferente do que pensamos, sentimos ou acreditamos.

Paz também é raiz. É escutar antes de responder, discordar sem destruir, ter força sem usá-la contra alguém. É preservar uma relação, mesmo quando a razão parece estar de um só lado.

Uma árvore não cresce sozinha.  Mesmo quando parece solitária, há uma imensa rede sustentando sua existência: terra, água, sol, vento, microrganismos, pássaros, insetos. Aquilo que nossos olhos enxergam como um tronco depende de uma vida que não vemos.

Nós também. Nenhum ser humano floresce sozinho. Precisamos de alguém que nos ajude a aprender, nos escute, nos contradiga e confie em nós, quando ainda não conseguimos confiar em nós. 

Penso que os tempos de agora têm um problema com suas raízes. Queremos crescimento rápido, resultados imediatos, respostas instantâneas. Apreciamos a copa, mas esquecemos do que acontece debaixo da terra.

Queremos paz no mundo, mas cultivamos pequenas guerras todos os dias: dentro de casa, no trabalho, nas redes sociais, nas conversas em que o outro precisa ser derrotado para que nós possamos estar certos.

A árvore nos ensina o que a pressa costuma esconder: não existe sombra sem raiz. Não existe paz sem humanidade. Nesse sentido, a paz é aquilo que acontece quando decidimos fazer o bem, e não que deixamos de fazer o mal. 

Tanto a árvore como a paz nos convidam a cultivar. Toda árvore um dia foi semente. Toda paz também.

No 21 de setembro, vale a pena plantar alguma coisa. Uma árvore, se puder. Uma relação, se precisar. Uma reconciliação, se for possível. Uma esperança, se estiver faltando.

O futuro é uma floresta que estamos plantando agora. Com dedicação.

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