Coloque a filosofia na sua vida

Já me chamaram de filósofo do mundo dos negócios. Gosto da expressão, embora nem sempre se apresente de forma elogiosa. Ao longo dos anos, descobri que alguns dos meus melhores professores de filosofia não eram das universidades. Estavam nas páginas dos meus livros.

O Velho Taful, de O Velho e o Menino, com seu jeito de olhar para o mundo faz – ao jovem Aladim — perguntas que parecem simples, mas nunca são.

A Dona Áurea, de Capital Relacional, ensina que a riqueza mais importante de uma vida é aquela que se constrói na relação entre pessoas.

O Doutor Xavier, de O Devir, tem uma sabedoria prática advinda menos dos livros e mais do fadário popular, das histórias, da experiência e daquilo que a vida ensina a quem sabe escutá-la.

O Mestre Aventurino, de Roda do Aprendizado, lembra que aprender não é acumular conhecimento, apenas, mas transformar aquilo que percebemos em experiência, consciência e vida.

Eles não dão aulas de filosofia. Fazem algo melhor: nos ajudam a pensar. E é dessa filosofia que mais precisamos. Não necessariamente a acadêmica, embora tenha um enorme valor. Como não aprender com Sócrates, Platão e Aristóteles, apenas para citar alguns deles? Mas me refiro à filosofia que entra pela porta da vida cotidiana e nos pergunta:

– O que estamos fazendo?

– Por que estamos fazendo?

– Para quem?

– Quem estamos nos tornando enquanto fazemos?

– Que mundo estamos ajudando a construir?

Pensar é uma atividade profundamente prática quando desaceleramos a mente antes de decidir, desarmamos certezas para enxergar outras possibilidades, discernimos entre o urgente e o importante.

Pensar é perceber que uma empresa não é só uma máquina de produzir resultados, mas um organismo formado por pessoas, relações, escolhas e valores.

Acredito que a filosofia tem muito a contribuir para o mundo dos negócios. Pode os ajudar a construir culturas éticas, porque nos ensina a perguntar não apenas o que podemos fazer, mas o que devemos fazer. Pode nos ajudar, também, a construir culturas mais humanas, porque nos lembra que pessoas não são recursos e relações não são transações. E ainda pode nos ajudar a construir culturas mais prósperas, porque prosperidade não deveria significar apenas ter mais, porém viver melhor e fazer com que a vida dos outros também possa prosperar.

Benignar vidas é isso: pensar melhor para agir melhor e, por meio de nossas ações, tornar o bem-viver de alguém um pouco melhor.

No fundo, meus personagens são companheiros nessa caminhada. Eles me lembram – e espero que também lembrem aos leitores – que uma boa pergunta pode valer mais do que uma resposta pronta, uma conversa pode mudar um destino, uma relação pode transformar uma pessoa.

Nesse Dia do Filósofo, faço um convite aos amigos leitores: coloque a filosofia na sua vida. Nem tanto para ter as respostas, mas, principalmente, para nunca deixar de perguntar, nunca deixar de pensar e, sobretudo, nunca deixar de aprimorar a qualidade do seu pensamento.

Aprender a pensar é uma das formas mais bonitas de aprender a viver.

 

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