Mergulhos plenos

A liderança que faz a academia prosperar

Na borda de uma piscina, alguém reúne coragem para entrar na água. Pode ser uma criança em sua primeira aula, um adulto enfrentando um medo antigo ou uma pessoa que deseja recuperar movimentos e confiança. Cada um chega com uma expectativa. Quando encontra acolhimento, competência e incentivo, a aprendizagem alcança a vida.

Quem trabalha com natação conhece esse instante. E, com a mente concentrada em horários, matrículas e despesas, talvez nem sempre perceba a grandeza daquilo que ajudou a acontecer. 

Quando uma pessoa atravessa uma piscina, dentro dela uma fronteira muda de lugar.

Gosto de pensar que uma academia de natação vive de travessias. Cada aluno traz uma história, um desejo, uma possibilidade por descobrir, ainda. A água recebe corpos, a atividade desperta potências. 

Quem cuida, no entanto, das travessias da empresa?

Imagine que sua academia pudesse se sentar diante de você. Por alguns minutos, deixe os relatórios sobre a mesa. Olhe para ela e pergunte: “o que você está tentando me dizer?”

Pode ser que ela responda: “estou cansada”, ou “tenho crescido, mas estou perdendo o rumo”. Ou, em uma voz quase inaudível: “algo em mim está se apagando”.

Você conseguiria escutá-la?

Empresas se expressam pela vida que circula em suas relações. Falam pelo brilho de uma equipe, pela ausência de um aluno, pela iniciativa de quem se importa. Falam, também, pelo silêncio de quem deixou de contribuir porque suas ideias nunca foram consideradas. 

Escutar a empresa é reconhecer que ela não é um mecanismo, mas um organismo. Um organismo vivo, de corpo, mente e alma.

Seu corpo precisa de cuidado. Há contas a honrar, equipamentos a preservar, processos a organizar. O gerente oferece sustentação. Quando faz bem seu trabalho, cria condições para que a energia das pessoas encontre passagem. Uma operação bem cuidada permite que o professor esteja inteiro diante do aluno.

Sua mente precisa de horizonte. O empreendedor pergunta, observa, imagina. Procura compreender o que as pessoas desejam conquistar e quais possibilidades a academia pode abrir. Escolhe uma direção que mereça a inteligência e o esforço de todos.

Sua alma precisa de vínculos. O gestor reconhece quem está ao seu lado. Percebe talentos, acolhe perguntas, confia responsabilidades. Sabe que cada colaborador traz mais possibilidades do que aquelas descritas em seu cargo. Há ideias esperando uma escuta. Há capacidades esperando uma oportunidade.

A liderança plena reúne três atenções. Cuida do que sustenta, do que orienta e do que anima a empresa.

Isso começa nas escolhas de cada dia. Ao corrigir um processo que desgasta a equipe, ao conversar com um aluno para compreender seu desejo, ao convidar alguém a assumir uma responsabilidade e oferecer condições para que cresça com ela. Pequenos gestos podem devolver movimento a um organismo inteiro. 

Uma academia ensina pessoas a vencer o medo, confiar em si, ter autonomia, descobrir suas capacidades. São tantas as travessias na água! Que a empresa saiba, também, celebrar as suas próprias travessias.

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